O céu está em todo lugar, de Jandy Nelson


O CÉU ESTÁ EM TODO LUGAR

Autora: Jandy Nelson
Editora: Novo Conceito
Páginas: 420
Nota: 10,0

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Sinopse: Lennie Walker, obcecada por livros e música, tocava clarinete e vivia de forma segura e feliz, à sombra de sua brilhante irmã mais velha, Bailey. Mas quando Bailey morre de forma abrupta, Lennie é lançada ao centro de sua própria vida, e, apesar de não ter nenhum histórico com rapazes, ela se vê, subitamente, lutando para encontrar o equilíbrio entre dois: um deles a tira da tristeza, o outro a consola. O romance é uma celebração do amor, também um retrato da perda. A luta de Lennie, para encontrar sua própria melodia em meio ao ruído que a circunda, é sempre honesta, porém hilária e, sobretudo, inesquecível.
“Eu deveria estar de luto, não me apaixonando”

Sempre ouvi a frase “Nunca julgue um livro pela capa” e ela está certa, mas quem nunca comprou um livro exatamente por esse motivo, por ter se apaixonado pela capa? Em “O céu está em todo lugar” foi assim. Não sei dizer o porquê. É uma capa azul, simples, mas que quando bati os olhos pensei “preciso ler esse livro” e estava certa! Foi – até o momento – a melhor leitura do ano. Li o livro em poucas (bem poucas) horas. Não parei até terminar.

Primeiro eu me apaixonei pela capa, logo em seguida pelas letras. Sim, vocês realmente leram isso, pelas letras. O livro é todo impresso em letras azuis, o que deu um toque todo especial. E por último pelas fotos (que deixarei para comentar sobre elas depois) . Todos os detalhes dão um toque especial, e preciso dizer que a Editora Novo Conceito caprichou e acertou em cheio nesse livro.

Sobre o livro: ele me levou aos extremos. Em um minuto eu estava chorando (enquanto aguardava ser atendida pela médica. Tem coisa mais vergonhosa que tentar esconder as lágrimas na sala de espera de um consultório?) , e no minuto seguinte eu estava rindo sozinha e tenho certeza que as pessoas que aguardavam comigo acharam que eu era louca.

A personagem principal do livro é Lennie, que está de luto pela morte de sua irmã Bailey. Ela não era apenas sua irmã, mas também sua melhor amiga e não está sendo fácil para Lennie aprender a viver sem ela. Bailey sempre foi o que Lennie chama de “cavalo de corrida”, a irmã mais engraçada, a mais bonita, a que chamava mais atenção, enquanto ela era o “pônei de companhia”. E para ela estava tudo bem, ela sempre foi mais “quieta”, feliz por viver a sombra de sua irmã mais velha. E eu sinceramente gostei disso em Lennie. A dor que Leenie sente pela morte da irmã é tão forte, tão verdadeira que passei o livro todo querendo ajudá-la a se sentir melhor. Se você, assim como eu, já perdeu alguém tão importante em sua vida, sabe o que Lennie está passando.
E é em meio a esse vendaval de emoções que entra Joe. O garoto novo da cidade, o único que não olha para ela com o pesar que todas as pessoas da têm no olhar. Ele é engraçado, incrivelmente bonito, com um sorriso mágico que Lennie se vê retribuindo sem esforço e é culto. Além disso, ele não conheceu Bailey e dá Lennie a chance ser alguém diferente, alguém que não a compare a sua irmã.

Um detalhe que me agradou (mais do que já estava encantada com esse livro) é que Lennie é apaixonada por leitura. Clássicos da literatura. Seu livro preferido é O morro dos ventos uivantes que ela já leu 23 vezes. Há tantas referências aos clássicos, que fez eu me conectar ainda mais com a personagem. E há a música. Lennie e Joe são músicos, ela é clarinetista e ele violonista.

E então, há também Toby. Ele era o namorado de Bailey. Toby também está tão profundamente de luto que se torna o único que Lennie não consegue mentir sobre sua dor, de como realmente está se sentindo. E é na busca por conforto que acabam se envolvendo. Então, está formado o triângulo amoroso do livro.
Lenie sabe que é errado estar se envolvendo com Toby (porque sim, é errado) , mas (de uma forma totalmente louca) eu entendi o que se passou entre Lennie e Toby. Acho que duas pessoas que perderam a pessoa que mais amavam às vezes podem se apoiar de uma forma nada convencional. Para Lennie, eles são como o sol e a lua, um rapaz consegue tirar sua tristeza, o outro a consola.

Agora Lennie, Joe e Toby não são os únicos personagens surpreendentes desse livro. A avó de Lennie e seu tio Big são tão peculiar e impressionante, que você (assim como todos na cidade) se apaixona por eles.
Vovó é incrível. Ela fala com as plantas, o que torna todas as plantas de seu jardim lindas e (como todos dizem) com poderes mágicos. E tem pinturas de mulheres verdes por toda casa, vovó tem verdadeiro fascínio pela cor verde. Já tio Big é o namorador da cidade. Mesmo depois de 5 casamentos fracassados, ele ainda acredita no amor e sente vontade de casar novamente. E com uma família como essa, acredite, você estará sorrindo em muitas partes do livro.
E por fim, entra uma das partes que me encantou no livro. Lennie escreve sobre tudo. E em qualquer lugar. Pode ser em um copo encontrado no chão, em uma árvore que sobre para comer seu almoço longe das pessoas, na sola do seu tênis, em um papel de bala, na contracapa de um livro… ela escreve poesia.

Ela transmite em suas poesias a sua dor, de como está ferida, a raiva por sua irmã ter a deixado tão cedo, sobre as conversas que tiveram. E o livro nós mostra isso. Em cada começo ou fim de um capítulo há uma “fotográfica” de cada copo, papel de bala, partitura com as poesias de Lennie…. É lindo.

Para mim, o livro todo é poesia. A escrita de Jandy Nelson é tão leve, tão cheia de sentimentos, que faz você pensar que está lendo um lindo poema sobre perder alguém e de como superar a dor.
Eu acho que poderia escrever essa resenha para sempre, ficar adicionando partes e passagens que realmente me emocionaram, mas vou deixar que vocês descubram por si mesmo. Se você ainda não leu esse livro, leia e depois me conte o que achou. E para aqueles que já leram: vocês amaram a beleza deste livro tanto quanto eu?

“Anos atrás estava deitada no jardim da vovó e Big perguntou o que eu estava fazendo. Disse-lhe que olhava para o céus. Ele respondeu:
- Essa é uma concepção errada Lennie, o céus está em todo lugar, começa aqui aos nossos pés”.

Fonte das Imagens

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Publicado em por Morg

Sobre o autor do post: Morg Morg mora em Florianópolis, é assistente social, colaboradora do blog, dona do site Fanfic Obsession e viciada em livros.

4 comentários para O céu está em todo lugar, de Jandy Nelson

  1. Andréia dos anjos

    Olá.
    Gostei demais desse livro, o trabalho que a Novo Conceito fez em todo o livro é perfeito, acho q não tenho livro mais lindo em toda a minha estante.
    E pra completar a história que no final me deixou sem palavras, muito lindo.
    Adorei muito a resenha, todos os pontos q eu adorei no livro estão nela.
    Bjo.

    [Responder]

    Morg respondeu em maio 7th, 2012 às 14:59

    Fico feliz por ter gostado da resenha Andréia, e concordo sobre ser o livro mais lindo da minha estante. Ainda pego o livro na mão só para rever (e reler) algumas partes que me emocionaram.

    beijoss

    [Responder]