Ler, Viver e Amar, de Jennifer Kaufman e Karen Mack


LER, VIVER E AMAR

Autor: Jennifer Kaufman e Karen Mack
Editora: Casa da Palavra
Páginas: 320
Nota: 7,5

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Sinopse: Dora cura a sua tristeza lendo – às vezes por dias consecutivos. Separada pela segunda vez, sua vida se resume a ficar na banheira com vinho e livros – de Tolstoi a Mark Twain, de Flaubert a Jane Austen.
Best-seller e livro cult na Costa Oeste americana mostra como a boa literatura pode ser reconfortante e um chave contra os momentos mais difíceis da vida.
Tudo isso tendo como cenário a luxuosa Los Angeles, suas lojas, paisagens e ruas que moram no imaginário dos amantes de cinema e dos seriados de TV.

Lembro de ter visto o exemplar da primeira edição nacional, com título e capa diferente, em algumas das minhas visitas as livrarias. Lembro de a capa ter chamado minha atenção – afinal, tem coisa melhor do que estar em um relaxante banho de banheira e ainda lendo um livro? -, mas não sei por que não o levei naquele dia. Talvez pressa, talvez falta de grana, talvez por estar querendo outro livro no lugar.

Sinceramente não sei por qual motivo a Casa da Palavra resolveu republicar com nova capa e retirar o ‘em Los Angeles’ do título – concluindo que nós brasileiros adoramos idolatrar tudo que é de fora, ou seja, estariam chamando o público para ler. Fato é que fizeram e, talvez pela nova capa ser tão colorida, chamou minha atenção na prateleira, li a sinopse e resolvi comprar – mas confesso que prefiro a capa antiga.

Ler, Viver e Amar foi escrito em colaboração por duas autoras, Karen Mack e Jennifer Kaufman, e este foi o primeiro romance delas.

Narrado em primeira pessoa, pela nossa protagonista Dora, o livro é sobre uma mulher que já passou da faixa dos 30, largou o emprego após a morte do pai e está enfrentando seu segundo divórcio. Até aí, sem novidade, cenário normal de um chick lit.

Mas o que me chamou atenção e instigou minha leitura é que Dora cura seus momentos difíceis com “porres literários”.

“As mulheres fazem coisas diferentes quando estão deprimidas. Algumas fumam, outras bebem, outras ligam para o terapeuta, algumas comem. E o que eu faço – o que sempre fiz – é sumir de tudo e de todos, mergulhando em um porre literário que pode durar vários dias.”


Dora se desconecta do mundo (literalmente) – desligando o celular e colocando a secretaria eletrônica para receber suas chamadas automaticamente -, escolhe uma categoria, seleciona os livros que vai ler, pega uma garrafa de vinho e se joga em sua banheira para um porre literário. Porem isso não dura apenas uma tarde ou uma noite, isso dura por dias, às vezes por semanas!

Eu achei que iria me identificar com Dora, justamente pelo fato dela curar a tristeza lendo…. mas não. Eu juro que quis me identificar com ela, mas não consegui. Tirando o fato de Dora ser uma amante de literatura (como eu), ela é uma personagem extremamente irritante e nada carismática – arrisco até dizer um pouco fútil e esnobe em algumas situações.

Até porque, vamos combinar: que pessoa pode se dar o luxo de se isolar do mundo por tanto tempo só porque algo ruim aconteceu? Eu realmente adoraria fazer isso e escapar da vida real, mas eu trabalho, tenho família e tenho amigos. Jamais poderia me isolar assim por dias, eu provavelmente seria mandada embora do meu emprego e meus amigos iriam me tirar a força de casa (como já fizeram vários fins de semana quando estava bodiada, diga-se de passagem), mas Dora não se importa. Ela largou o emprego, mora em um hotel – porque não teve coragem ainda de procurar uma casa depois que se separou – e não tem amigos (afinal, quem aguentaria?!), quer dizer, só uma de verdade.

E tudo bem curtir uma fossa por um tempinho, mas ficar dias e dias isolada assim? Acorda amiga, vai beber com a galera! Vai viajar no final de semana, compra um pug, sei la!

Mas ela se isola, porque ela é boring e tem dinheiro pra continuar assim. E quando resolve sair, fica em duvida em quais roupas de marca irá usar nos eventos onde só a high society de L.A. aparece. Tudo bem que no final ela entra no eixo, mas quando isso acontece a minha antipatia por ela já era tão grande que tal ato nem me sensibilizou.

É oficial, Dora não me conquistou. Em compensação Fred, o charmoso vendedor da livraria que Dora frequenta, me ganhou na primeira citação que ele fez. Sério, existe algo mais charmoso do que um cara que cita poesias e clássicos? Ok, pode até existir, mas eu acho isso sexy também – não me julguem!

É claro que Fred não só ganhou a mim, mas a Dora também. Além de charmoso, ele é inteligente, gosta de literatura – afinal, ele trabalha com isso – e é um excelente amante (sim, vocês sabem do que eu estou falando!).

Mas nem tudo é perfeito e Fred também tem seus próprios problemas para enfrentar, o que acaba dificultando um pouco a relação dos dois. Para piorar ainda mais, Palmer – ex-marido de Dora – resolve se aproximar e demonstra um interesse maior do que deveria.

Estarei sendo contraditória se eu disser que, apesar da Dora ser pain in the ass, eu gostei do livro? Bom, que eu seja contraditória então, porque eu realmente gostei. Foi uma leitura calma e me acrescentou muito, graças a todos as obras literárias que são citadas.

Gostei do fato de que cada capítulo começa com uma citação de alguma obra ou escritor famoso, e todos os diálogos sobre literatura. Eu tinha vontade de entrar na conversa e expressar minha opinião também. Ás vezes eu até parava pra pensar, quando um dos personagens dava seu ponto de vista sobre o significado das entrelinhas de determinada obra.

Não vou mentir e dizer que os meninos também irão gostar, afinal, não deixa de ser um chick lit. Porém é um chick lit diferente, não é meloso, também não é tão divertido, mas é leve. Uma boa leitura e definitivamente vai te deixar mais interessada em outras obras – eu sei que eu fiquei, marcava em post its toda vez que citavam algum livro que eu não conhecia.

“Eu coleciono livros da mesma forma que minhas amigas compram bolsas de grife. Às vezes, só gosto de saber que os tenho e lê-los de fato não vem ao caso. Não que eu não termine lendo-os todos, um por um. Eu os leio. Mas o mero ato de comprá-los me deixa alegre – o mundo é mais promissor, mais satisfatório.”

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Publicado em por Fracky

Sobre o autor do post: Fracky Fracky - que também atende como Laís Scrivani - é a administradora do blog, tem 24 anos, mora em São Paulo e, além de blogueira, é publicitária na área de Social Media.

5 comentários para Ler, Viver e Amar, de Jennifer Kaufman e Karen Mack

  1. Vc bem sabe que chick lit não é lá meu tipo de livro preferido, mas só por essa última frase que você postou na resenha eu fiquei morrendo de vontade de ler esse livro? Me ideintifiquei. Tenho uns 40 livros sem ler na minha estante e nunca hesito em comprar mais. =X

    Acho que vou me arriscar nessa leitura qdo tiver a oportunidade! ;)

    [Responder]

    Fracky respondeu em abril 2nd, 2012 às 14:46

    Ele nao tem a pegada normal de chick lit, nao eh meloso e nem eh engraçadinho sabe? Eu diria que ele cai mais pra um drama, com uma pitada de romance.
    Mas, apesar da Dora ser uma chata, a tematica dele eh muito legal. ;D
    Se vc quiser te empresto, ai vc nao gasta nada caso nao goste.
    (estou sem acentos, nao me julga HAHAHAH) =*

    [Responder]

    Bru Duda respondeu em abril 2nd, 2012 às 14:49

    Se não é meloso já ajuda :)
    Eu aceito o livro emprestado! Estou tentando perder meus preconceitos literários… hahahahaha a gente faz um troca troca de livros na quinta! Coração Ferido já está separadinho pra eu te levar :)

    Odeio ficar sem acentos no PC /o\ dá uma agoniaaaaaaaaaaaaa :~ hahauhauha

    [Responder]

  2. Oi, Fracky!
    Comece a ler ”Ler, Viver e Amar”, mas as provas da faculdade chegaram e eu decidi interromper a leitura, o que me chamou atenção nessa edição coloridona, além do título, foi também a sinopse… Fiquei imaginando-me como a Dora, curando minhas depressões com um porre literário, mas enquanto a leitura avançava comecei a ficar com raiva dela por ser tão… não sei, imatura, talvez, ok, o pai dela morreu, ela tem 30 anos e dois divórcios e talz, mas se eu fosse ela faria uma forcinha pra curtir mais a vida, continuar a ler muito, muito mas viver… O isolamento dela me deixava nervosa, pensando, meu, você está em LA!!!
    Vou retomar a leitura, em breve!
    Adorei a resenha, e esse trecho: ”mas ficar dias e dias isolada assim? Acorda amiga, vai beber com a galera! Vai viajar no final de semana, compra um pug, sei la!” HAHA

    Beigos!

    [Responder]